Articles «Previous Next»

Virtudes cardeais no afresco de Rafael – Arte, Ética e Jusfilosofia

Paulo Ferreira da Cunha, Universidade do Porto

Abstract

Este artigo procura arqueologias filosóficas para uma simbolização da Justiça. Tudo indica que Rafael não conhecia (ou não aderiu) à perspectiva de autonomização do jurídico, cara a Aristóteles, nem ao desejo de laicização do Direito, protagonizado por Tomás de Aquino. Entre este último e o seu tempo interpusera-se, evidentemente, muita água nominalista e muita escolástica tardia sob as pontes da História. Porém, se a Prudência não é a virtude das virtudes em Rafael, tal se deve certamente ao facto de não estar a fazer teologia moral, mas representação da Justiça. E, mesmo assim, a Prudência surge no centro das virtudes e num plano superior. Aliás, o próprio Tomás de Aquino, na linha de Aristóteles, embora moderando o Filósofo, dá a maior relevância à Justiça, como suprema das virtudes morais, dependendo porém, na ordem do ser e da verdade, da Prudência.

Suggested Citation

Paulo Ferreira da Cunha. "Virtudes cardeais no afresco de Rafael – Arte, Ética e Jusfilosofia" Videtur.n.º 15 (2002): 5-24.