OFERTA HOSTIL PARA AQUISIÇÃO DE CONTROLE SOCIETÁRIO: DISCIPLINA E EXCESSO DE CONFIANÇA
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Unpublished and unfinished manuscript.
Abstract
Uma das principais justificativas econômicas para as ofertas hostis se refere à hipótese de estas servirem como instrumento de substituição dos atuais administradores por outros que consigam alocar os recursos da companhia alvo da oferta de forma a maximizar seu desempenho. Dessa forma, a oferta hostil teria um efeito disciplinador dos administradores de uma companhia aberta, dada a constante ameaça de serem substituídos. Essa perspectiva cunhou a expressão “mercado por controle societário” (market for corporate control), segundo a qual o controle de companhias abertas são percebidos como ativos valiosos pelos quais os agentes econômicos competem no mercado. Contudo, a literatura de economia comportamental apresenta diversas evidências empíricas que questionam as premissas por detrás da discussão sobre as ofertas hostis, em especial a teoria do mercado eficiente e a ideia de que os agentes econômicos que atuam no mercado de valores mobiliários agem como se fossem racionais. Particularmente, há sólida evidência de que os administradores de companhias tendem a demonstrar tendências cognitivas tais como excesso de confiança. Uma contribuição dessa literatura é questionar a eficácia das oferta hostil como um mecanismo de disciplina. A ideia aqui defendida é de que modelos econômicos ganhariam muito caso atribuíssem um peso menor às premissas da teoria da escolha racional e procurassem adotar um entendimento mais sofisticado e realista do comportamento humano.